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O gás natural e a economia de Corumbá

Fonte: Guilherme Vaz do Couto* - 28 de agosto de 2013 948 Visualizações
O gás natural e a economia de Corumbá
 
A solução para o impasse criado na oferta do gás natural ao mercado local através do ramal construído entre a estação de medição (Mutum) na fronteira do Brasil com a Bolívia e a divisa entre os municípios de Corumbá e Ladário depende de gestões a serem realizadas junto ao Governador do Estado de Mato Grosso do Sul, para que solicite à Petrobras a adoção do mesmo modelo empresarial utilizado para resolver o problema do Estado de Mato Grosso, lá em Cuiabá atualmente o consumo alcança volumes da ordem de dois milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, para o mercado de Corumbá e Ladário, seria necessário apenas 50 mil metros cúbicos para encher o ramal e iniciar o abastecimento dos postos de gás veicular e atender a indústria de cerâmica, esta operação vai aquecer os negócios das oficinas especializadas em conversão de motores, exigindo treinamentos e geração de nova categoria de profissionais para instalação do kit GNV. 
O gás natural é um produto altamente competitivo e ambientalmente recomendado como vetor de desenvolvimento, o início do fornecimento do gás natural na região quebra um paradigma e abre a matriz energética local, que sempre esteve amarrada nos energéticos: diesel, coque de petróleo, GLP, carvão, lenha e energia elétrica importada. Com a inclusão do gás natural na matriz energética as Secretarias de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso do Sul e dos Municípios de Corumbá e Ladário, podem desenvolver um plano estratégico de divulgação das nossas potencialidades para atração de novas indústrias, o que poderá mudar o perfil econômico, com a chegada de novos investimentos, tecnologias, empregos e renda. 
Olhando as experiências de inúmeros municípios que receberam o gás natural, vale à pena citar como exemplo a experiência da cidade de Três Lagoas, nesse caso a gestão pública local teve um papel primordial nesse processo. O ponto de partida é a avalição do atual Plano Diretor do Município e todo ordenamento jurídico, para definir quais são as áreas disponíveis para instalação de novas indústrias e qual a vocação e os requisitos ambientais exigidos, além de saneamento, água e energia elétrica. Acreditamos que a Concessionária Estadual MSGÁS tem interesse no desenvolvimento do mercado e pode trazer e agregar as experiências acumuladas na implantação das redes de distribuição de Campo Grande e Três Lagoas, também possui visão e domina todo o conhecimento da indústria brasileira que introduziu o gás natural nos seus processos produtivos, seja como matéria prima, insumo ou em forma de energia elétrica. 
Em se tratando de política industrial regional é fundamental o envolvimento da Federação das Indústrias - Fiems, do Senai, Senac, Sesi, Ibama, Embrapa, das Associações Comerciais e Industriais e das Universidades, além dos órgãos de fomento como o BNDES, Banco do Brasil e todo sistema financeiro nacional e internacional, que podem ser envolvidos através da realização de foros empresariais para debater e definir as melhores alternativas com base nas ideias do empresariado, comerciantes, acadêmicos, pesquisadores e de toda sociedade corumbaense e ladarense. 
A nossa região possui uma localização geográfica privilegiada e se relaciona com os mercados potenciais do Paraguai, da Bolívia e de toda região do Estado de Mato Grosso, aqui neste debate vai nascer com muita evidência à discussão da integração regional através dos meios modais de transporte, como a recuperação da ferrovia, a dragagem do Rio Paraguai, a duplicação da BR 262, neste contexto o estudo da utilização dos cilindros de gás natural comprimido nas embarcações de transportes de carga (pequenos portes) e nas embarcações de turismo pode justificar a realização de vários estudos de mercado e de adaptações tecnológicas. 
O gás natural disponível para o mercado vai motivar aos industriais da mineração a realizar estudos de viabilidade para agregar mais uma etapa na cadeia de exploração e exportação do minério de ferro, manganês e calcário, agregando valor ao preço final e trazendo novas tecnologias. O gás natural pode trazer o segundo grande benefício e talvez o mais importante que é a geração de empregos, já contribui de maneira extraordinária com os impostos, mas agora chegou à vez do desenvolvimento industrial, abrindo e oxigenando a economia local com novas ideias e pensando no progresso sustentável de toda região pantaneira. O gás natural pode impulsionar o desenvolvimento industrial.
Guilherme Vaz do Couto é economista e mora em Corumbá