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China, Argentina e Brasil, nessa ordem

Texto de Fernando Giovanetti, publicado no Segs - 18 de setembro de 2013 822 Visualizações
China, Argentina e Brasil, nessa ordem
 
Enquanto a China se fortalece com acordos de cooperação, grupos brasileiros perdem oportunidades de investimento no país vizinho.
A relação bilateral entre China e Argentina vem se estreitando cada vez mais. O país asiático vem investindo pesado em negócios no país latino nos últimos anos, e as empresas brasileiras, por sua vez, tem perdido espaço significativo nas terras vizinhas. Entretanto, muitas vezes as próprias companhias do Brasil, apegadas a desculpas como burocracia excessiva e licenças de importação, deixam grandes investimentos vazarem pelos vãos dos dedos, facilitando a parceria dos grupos chineses.
Na Argentina, a construção das Hidroelétricas do sul, que serão responsáveis pela maior produção de energia hidroelétrica do país localizada na província de Santa Cruz e que estavam sendo pretendidas por corporações brasileiras, foi conquistada pela empresa nacional Electroingeniería, com financiamento de um grupo chinês.
Outras parcerias que estão sendo consignadas às empresas do país asiático estão sendo utilizadas para a construção de casas populares. Aplicações de grande porte também são os projetos de mineração na província de Salta e Mendoza, justamente onde a Vale, mineradora brasileira, cancelou seus investimentos, e onde  empresas chinesas estão ocupando importantes espaços.
O próprio governo da China aposta nessas relações amistosas, como a reunião do G20 em São Petersburgo, na Rússia, onde o Chefe de Estado Xi Jinping se encontrou com a presidente Cristina Kirchner para ampliar a cooperação entre os dois países e elaborar um plano cooperativo bilateral nas áreas de energia, mineração, elétrica, infraestrutura, financeira e silvicultura.
A Presidente Kirchner também vê com bons olhos esta relação e acredita que seu país pode ser a porta de entrada para os chineses no mercado Latino Americano e realiza esforços para incentivar a vinda e a parceria com grupos chineses. Além de ver na parceria uma boa oportunidade para exportação de grãos - recentemente um carregamento de milho transgênico foi aprovado pelo governo de Xi Jinping e também existem importantes investimentos em terras agrícolas.
O presidente da Câmara de Comércio Argentino Brasileira de São Paulo – Camarbra, Alberto Alzueta acredita que nem o Brasil e nem a Argentina estão aproveitando as oportunidades. “Temos de estabelecer diálogo entre as cadeias produtivas, incentivar fusões e parcerias e colaborar com os governos para facilitar os acordos, afinal temos economias complementares, podemos firmar verdadeiros clusters, ambos os países estão perdendo com esta falta de interação”, pontua.
Segundo a Camarbra, entre as 500 maiores empresas da América Latina, ambos os países vem apresentando baixo crescimento desde 2006, enquanto outros países como Chile e Peru têm conseguido desenvolvimentos mais notáveis.