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Recursos hídricos do Nordeste

Texto publicado no Diário do Nordeste - 06 de novembro de 2013 944 Visualizações
Recursos hídricos do Nordeste
 
No recente Seminário promovido em Fortaleza sobre Seca, Impactos e Resposta - Uma Análise da Seca 2012-2013 no Nordeste, a informação tranquilizadora surgiu do Instituto Nacional de Meteorologia. Por suas previsões, os próximos três meses serão períodos de chuvas variando de normal a mais chuvoso.
Os expositores do principal órgão de meteorologia do País tiveram o cuidado de ressaltar: Como o próprio nome diz, toda previsão é um termo probabilístico. Nunca devemos esquecer isso. Não se trata de certeza absoluta. Mas é o melhor que pode ser feito em termos do assunto. Entretanto, os critérios do Instituto têm possibilitado acerto muito grande, com as previsões de secas, feitas no ano passado, confirmadas neste ano.
Para os gestores da Sudene, a situação hídrica do semiárido é apenas um dos componentes da seca. Os altos investimentos em outras regiões do País ameaçam o recrudescimento das desigualdades sociais do Nordeste. Para evitar esse descompasso, a região precisaria crescer 2,5% acima da média nacional por mais de 20 anos seguidos.
Temática pouco valorizada pelos organismos regionais, a implantação de um sistema eficiente de gestão de recursos hídricos sobrepõe-se aos problemas paralelos. A bancada federal do Nordeste e especialistas em recursos hídricos concordam em ser este caminho a maior contribuição que a técnica e a ciência da hidrologia poderiam oferecer ao problema da seca.
Deputados federais produziram documento para orientar suas reflexões em torno da temática da seca. Nele, a água, como recurso limitado, desempenha importante papel no processo de desenvolvimento econômico e social, impõe custos crescentes para obtê-la, tornando-se, assim, bem econômico de expressivo valor. Essa é a realidade.
Quando enfoca a questão de novas fontes de água para a região, o estudo da bancada parlamentar aponta a necessidade de construção de novas barragens e adutoras. Para os açudes, tradicionalmente utilizados no abastecimento humano, o estudo advoga finalidades mais diversificadas, como seu uso na irrigação e na geração de energia, aumentando a sustentabilidade econômica da região sujeita às estiagens.
A crise provocada pela estiagem, a busca de saídas para a convivência com a seca e o trabalho idealizado pelos parlamentares estão fomentando discussões enriquecedoras por conta dos novos subsídios oferecidos. Para o professor Hypérides Macedo, ex-secretário de Recursos Hídricos do Ceará e do Ministério da Integração Nacional, há, de fato, necessidade da construção de mais açudes para se evitar o desperdício d´água recorrente no Estado.
Para ele, no Ceará ainda existem bacias livres, cuja água vai para o mar, como a do Rio Coreaú e em alguns afluentes do Acaraú. No litoral, há outras bacias sem controle de açude, como em Itapipoca e em Trairi. Os sistemas de adutoras e o represamento das águas em barragens e açudes são os únicos recursos capazes de proporcionar segurança hídrica à população e ampliar a eficiência dos açudes públicos.
O Ceará precisa de pelo menos 4.500 km de adutoras, na opinião desse professor de hidrologia. O documento dos parlamentares destaca mais de R$ 19 bilhões incluídos no PAC para investimento em 57 empreendimentos desse tipo no Nordeste e no semiárido mineiro. A seca deste ano despertou os governantes para soluções tecnicamente recomendáveis. Falta, porém, o essencial: a água.