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MEIO AMBIENTE

Brasil pode se tornar o país líder em sequestro de carbono

Com informações da Agência Fapesp - 28 de janeiro de 2022 709 Visualizações
Brasil pode se tornar o país líder em sequestro de carbono

Mercado de sequestro de carbono

O Brasil tem potencial para liderar o mercado emergente de sequestro de carbono atmosférico - fundamental para que seja atingida a meta de empurrar o aquecimento global para um patamar abaixo de 1,5 a 2,0 graus Celsius em comparação com o período pré-industrial.

Para isso, o país dispõe de uma formidável reserva de 50 milhões de hectares de terras reflorestáveis, com potencial de regeneração natural espontânea ou de regeneração natural assistida. E o reflorestamento é, de longe, a forma mais efetiva de sequestrar carbono da atmosfera.
Esta é a conclusão do professor Renato Crouzeilles, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que também é pesquisador afiliado ao Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS).

"O mercado voluntário de sequestro de carbono deve crescer até 15 vezes de 2020 a 2030. E, até 2050, entre 7 e 13 gigatoneladas do carbono deverão ser sequestradas anualmente, para compensar as emissões, e atingir a meta de Net Zero," disse Crouzeilles - a expressão "Net Zero" designa a neutralidade de carbono, condição em que todas as emissões remanescentes são compensadas por sequestros.

Preço do carbono

Segundo o pesquisador, o preço do carbono sequestrado ainda é muito baixo, mas em mercados regulados como o europeu a tonelada de carbono sequestrado já alcança o valor de €69,00. "A demanda já é grande e tende a aumentar, o preço também, e a oferta ainda é baixa e de baixa qualidade," afirmou.

A qualidade da oferta de sequestro de carbono é aferida a partir de três critérios. O primeiro é o da "durabilidade", isto é, por quanto tempo o sequestro poderá ser mantido. O segundo critério é o da "adicionalidade", que só se aplica quando o reflorestamento atende estritamente ao objetivo do sequestro de carbono. Uma floresta reconstruída para extração de madeira não pode ser apresentada como uma adição que só se tornou possível devido ao financiamento obtido no mercado de carbono. O terceiro critério, finalmente, é que não haja "vazamento", isto é, que o reflorestamento em determinada área não implique desmatamento em outra.

"O Brasil apresenta uma das maiores oportunidades para reflorestamento em larga escala e a baixo custo visando remover CO2 da atmosfera," enfatizou o pesquisador, listando quatro vantagens do país: Alto potencial de sequestro de carbono; baixo custo para o reflorestamento; grande quantidade de área disponível; e alto potencial para regeneração natural assistida.

Custo de oportunidade

Em vez de fechar os olhos diante de uma política obtusa de desmatamento e predação dos recursos naturais, os agentes econômicos brasileiros deveriam enxergar a preservação e a reconstrução das florestas como um dos maiores e potencialmente mais lucrativos patrimônios do país.
"Devido às condições climáticas, a Amazônia e a Mata Atlântica estão entre os melhores locais do mundo para o sequestro de carbono. E, principalmente na Amazônia, o custo de oportunidade para isso é baixo," comentou Crouzeilles.

O "custo de oportunidade", ele explicou, é o montante de dinheiro que o proprietário rural deixa de ganhar ao redirecionar parte de sua área da atividade agropecuária para o reflorestamento. Em lugares distantes da fronteira de expansão do agronegócio, esse redirecionamento pode ser uma opção bastante vantajosa do ponto de vista econômico, para não falar de suas virtudes ambientais.

Crouzeilles disse que grandes corporações, como a Microsoft, a Apple, a Amazon e outras, estão bastante engajadas na política de carbono neutro até 2050. E que a Microsoft, em especial, não apenas quer zerar seu balanço de emissões, como também apagar toda a "pegada de carbono" deixada ao longo de sua história.

De acordo com o pesquisador, o mercado de sequestro de carbono é altamente promissor para o Brasil. Mas é preciso agir logo, e com alta velocidade, porque a meta de reduzir o aquecimento global abaixo de 1,5 a 2,0 graus Celsius até 2030 continua longe de ser alcançada.